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Show de Lançamento - "Chiquinha em Revista"

12/fevereiro (sex.), às 21h.

Francisca Hedwiges de Lima Neves Gonzaga, ou apenas Chiquinha Gonzaga, nasceu no Rio de Janeiro em 17 de Outubro de 1847 e morreu, na mesma cidade, em 28 de Fevereiro de 1935. Pianista, maestrina e compositora, é sem qualquer dúvida, o maior nome feminino da história da música popular brasileira. Nas três últimas décadas chegaram ao mercado vários projetos (discos, livros, peças de teatro, séries de tevê) com o objetivo de resgatar e apresentar ao público de hoje a música de Chiquinha. Apesar do inestimável valor desses projetos, a obra da ‘pianeira’ carioca permanece praticamente desconhecida entre os não-iniciados, exceto por meia-dúzia de suas composições. A explicação é simples: o legado de Chiquinha Gonzaga é de tamanho verdadeiramente descomunal: 77 partituras de peças de teatro e mais de 2 mil composições entre polcas, tangos brasileiros, valsas e modinhas. A cada vez revela-se muito, mas sobra sempre muito mais a revelar.

Uma Visão Paulistana – O álbum “Chiquinha em Revista”, idealizado por Gilberto Assis e Ana Fridman e agora lançado pelo Selo SESC, traz a público mais um punhado de composições de Chiquinha Gonzaga, a partir de uma proposta diferenciada e original. Gilberto de Assis, músico, compositor, arranjador e produtor musical, conta que o projeto surgiu de uma pesquisa pessoal, muito “mais estrutural do que histórica”. Ele faz questão de deixar claro que não é especialista, “nem em Chiquinha Gonzaga nem em choro”, mas que sabe da importância de trazer à tona a obra da compositora. Até porque, afirma, tudo o que se tem falado de Chiquinha Gonzaga em tempos recentes está mais relacionado à vida pessoal dela (uma mulher que, afrontando os preconceitos da sociedade do seu tempo, tornou-se pioneira do feminismo no Brasil) do que com sua música.

E mais: a maior parte das músicas dela que foram gravadas nos últimos anos são peças para piano; as canções feitas para musicais e peças de teatro, com textos bem característicos da época e sempre irônicos, apimentados, continuam esquecidas. Assim, a proposta de Gilberto Assis e de Ana Fridman foi a de pegar composições pouco conhecidas de Chiquinha e fazer uma releitura com arranjos para formações instrumentais ricas, não diretamente vinculadas à tradição do choro (incluindo, por exemplo, gaita, clarone, quarteto de cordas). O resultado é, pode-se dizer, uma visão paulistana da obra de Chiquinha Gonzaga: Gilberto Assis e Ana Fridman são ambos paulistanos, os músicos todos são também de São Paulo ou aqui radicados e, mais ainda, são marcadamente de Sampa as vozes dos cantores Ná Ozzetti, Suzana Salles, Vange Milliet, Rita Maria e Carlos Careqa.

Diversidade de Vozes e EstiIos: “Chiquinha em Revista” tem treze músicas que vão se alternando, uma instrumental, outra cantada. Os arranjos para as sete peças instrumentais, de grande riqueza melódica, são todos de Ana Fridman, que participa também como pianista – “Falena” é, entre elas, a única que se pode dizer conhecida. Já os arranjos para as seis músicas com letra são todos de Gilberto Assis, que participa também como contrabaixista. “Fiz cada um dos arranjos já pensando especificamente em cada um dos cantores”, conta ele. A diversidade de vozes e estilos foi intencional, não apenas para não caracterizar o disco como trabalho de um intérprete, mas principalmente para explorar a variedade e a riqueza de melodias e letras. É justamente nas músicas com letra que fica mais evidente a alusão do título – “Chiquinha em Revista” – à atividade da musicista no chamado ‘teatro de revista’. “Fogo Foguinho”, na voz de Rita Maria, bem como “Sou Morena”, com Vange Milliet, têm texto de Viriato Corrêa e são da opereta Juriti, de 1919. “A Chinelinha do Meu Amor”, cantada por Suzana Salles, e “A Sertaneja”, por Ná Ozzetti, são ambas da opereta A Sertaneja, de 1915, igualmente sobre texto de Viriato Corrêa.

São duas as canções não especificamente criadas para o teatro. A primeira, “Tava Assim de Português”, em interpretação de Carlos Careqa para a saborosa letra paródica de Marques Porto sobre a canção “Casa de Caboclo”. A outra, o clássico “Corta-Jaca”, maxixe de 1895 que em 1902 recebeu letra de Machado Careca e ganha aqui maliciosa e brejeira interpretação da Ná Ozzetti. O programa tem todas as músicas registradas no disco, e a presença dos cinco cantores e de praticamente todos os músicos participantes das gravações: Ana Fridman (piano), Gilberto Assis (baixo), Vítor Lopes (gaita), Ronen Altman (bandolim), Bel Latorre (clarinetas), Sérgio Reze (bateria e percussão), Italo Peron (violão, viola caipira, cavaquinho), Gabriela Machado (flautas) e o quarteto de cordas formado por Luiz Amato e Esdras Rodrigues (violinos), Emerson De Biaggi (viola) e Adriana Holtz (violoncelo).

QUANTO: R$ 20 a R$ 5

OBS: Teatro Tel.: (11) 5080-3000 Capacidade: 608 lugares Duração aproximada de 90 minutos Não recomendado para menores de 12 anos.


Local:

Sesc Vila Mariana
Rua Pelotas, 141
Vila Mariana
São Paulo - SP
Tel.: (11) 5080-3000 - fax: 11 5539-4201

Acesso Def. Fisico
Capacidade : 608 lugares
Horário de Funcionamento : Terça a sexta, das 9h às 21h30 - Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h30
Estacionamento : (a partir de R$ 5)

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