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Capa CD All Blues
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Freddie Hubbard (n.1938) > trompete
Frederick Dewayne
Hubbard é o principal nome do trompete no jazz surgido
depois de Miles Davis. Nascido em
Indianápolis, tocou com os Montgomery Brothers. Mudou-se
para Nova York em 1958. Em 1961 juntou-se aos Jazz Messengers
de Art Blakey, com quem permaneceria
até 1964. Depois tocou com Max Roach
em 1965-66. A partir de 1966, passou a formar seus próprios
quartetos e quintetos. Ao longo de quatro décadas, Hubbard
tocou com alguns dos mais importantes nomes do jazz: além
de Art Blakey e Max Roach, também com Eric Dolphy, Philly Joe Jones, Sonny
Rollins, Slide Hampton, Jay Jay Johnson, Quincy Jones, Wayne
Shorter e James Spaulding, entre outros. A partir de 1976
participou do grupo V.S.O.P. de Herbie Hancock, uma reedição
do quinteto de Miles Davis dos anos
60, formado por Hancock, Ron Carter,
Tony Williams, Wayne
Shorter e com Hubbard ao trompete, ocupando o lugar que fora
do próprio Miles. Nos anos 70, tendo assinado com a Columbia,
sua música atravessou uma fase fusion
/ latin jazz de caráter
mais comercial. Nos anos 80, voltou a tocar no estilo mais hardbop
com alguns de seus antigos colegas.
É importante
notar que Hubbard esteve presente em gravações históricas
do jazz de vanguarda: em Free Jazz (1960), fazendo parte
do revolucionário quarteto duplo liderado por Ornette
Coleman e Don Cherry; em Ascension (1965), talvez a
obra máxima de John Coltrane;
em Out to Lunch (1964), o testamento de Eric Dolphy; e
em Blues and the Abstract Truth (1961), de Oliver Nelson.
O próprio Hubbard estima que tenha tocado em cerca de 300
discos ao longo de toda a carreira.
Hubbard foi ocasionalmente
comparado com Miles Davis, talvez por sua
qualidade técnica e sua posição de liderança
na cena do trompete moderno; porém seu som e sua abordagem
são fundamentalmente diferentes. O som de Hubbard é
mais encorpado, com um belo timbre tanto ao trompete como ao flugelhorn,
saindo-se extremamente bem tanto no registro agudo como no grave.
Seu fraseado é mais agressivo e talvez menos introspectivo
que o de Miles Davis, o que não
o impede de tocar com propriedade também as peças
de maior lirismo. É um grande improvisador, capaz de longos
solos, onde nunca falta imaginação. Versátil,
transitou por vários estilos. Inúmeras vezes já
se pôde comprovar que basta o trompete de Freddie entrar
em cena para conferir credibilidade musical até mesmo aos
contextos mais comerciais (e lembremos que ele chegou a gravar
até com acompanhamento drumnbass, por
exemplo em Times Are Changing). Mas, no fundo, Freddie
Hubbard nunca deixou de ser o grande solista Hard Bop
por excelência.
Certa vez, em 1974,
Freddie resumiu em termos bastante diretos toda essa vida de trabalho
dedicada ao jazz: Um monte de caras jovens [young cats]
vêm me perguntar como é que eles podem se virar tocando
esse tipo de música. Eu digo a eles que tive que andar
junto com os caras certos [the right cats], ler a música
deles, ensaiar, tocar tipos diferentes tipos de música,
coisas que eu nem queria tocar, enfim, tudo isso acabaria me ajudando
a me transformar naquilo que eu sou hoje.
Mais recentemente,
em meados dos anos 90, Freddie esteve às voltas com problemas
de saúde. Acometeu-o um problema comum aos trompetistas:
seu lábio ficou gravemente danificado devido ao constante
esforço de soprar. Isso o fez interromper uma carreira
que, embora longa e muito produtiva, estava no auge da criatividade
e ainda poderia se prolongar por um bom tempo.
(V.A. Bezerra, 2001)

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