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Anthony Braxton (n.1945) > sax alto, sax tenor, sax soprano, sax barítono, clarinete, clarinete baixo, flauta, eletrônica, piano, percussão
Anthony
Braxton é o Stockhausen do jazz moderno,
com uma obra tão vasta, ousada e enigmática
quanto a do compositor alemão. Nascido
em Chicago, teve sua visão musical fortemente
influenciada por sua ligação com
a Association for the Advancement of Creative
Musicians (AACM), desde sua fundação.
composições de Braxton, que recebem
números em vez de títulos, são
esquematizadas por curiosos diagramas geométricos.
O resultado sonoro se situa numa fronteira entre
a música erudita de vanguarda e o free jazz. As pretensões de Braxton não
se limitam ao conjunto de jazz típico:
muitas de suas peças são compostas
para grandes formações, com instrumentos
pouco usuais, e às vezes requerendo o uso
de ambientes cenográficos, multimídia,
atores, bailarinos, etc. Em alguns casos, chegam
a beirar o divertidamente megalomaníaco:
composições para serem executadas
a bordo de múltiplas estações
espaciais, etc.
A
obra de Braxton é volumosa, tendo sido
amplamente divulgada em numerosas turnês
feitas pelo próprio compositor, e está
também amplamente registrada em gravações,
feitas pelo selo Leo e mais recentemente pelo
seu próprio selo, o Braxton House. A nomenclatura
dos discos, com muitos títulos parecidos
entre si, pode confundir o neófito - por
exemplo, as gravações intituladas
"Quartet 1995 (London)", "Quartet
1995 (Coventry)" e "Quartet 1995
(Birmingham)"; ou então "Four
compositions (Quartet) 1983", "Four
compositions (Quartet) 1984" e "Four
Compositions (Quartet) 1995", etc.
Além
de compor abundantemente, Braxton tem demonstrado
ao longo de sua carreira um permanente interesse
pelo repertório standard do jazz
(ao qual são dedicados, em particular,
os dois volumes de Knitting Factory, onde
Braxton toca piano e revisita "I Remember
Clifford", entre outras); porém suas
leituras desse repertório são iconoclastas.
Em particular, como observam os críticos
Richard Cook e Brian Morton, as interpretações
braxtonianas do corpus monkiano ou, como dizem
eles, "monástico" (Monk = monge)
em Six Monk's Compositions, são
"totalmente apóstatas".
Como
instrumentista, Braxton toca um subconjunto considerável
de todos os instrumentos usados no ocidente; porém
seu forte inegavelmente são os saxofones,
dos quais é um virtuose consumado, extraindo
deles escalas velozes, ritmos fragmentados e intervalos
dificílimos.
Além
de seu trabalho como compositor e instrumentista,
Braxton desempenha também intensa atividade
como professor e ensaísta. Lecionou no
Mills College (em Oakland, Califórnia),
na Wesleyan University, e atualmente dirige a
Tri-Centric Foundation.
Pelo
volume de sua obra, pela complexidade de seu pensamento
musical, pela filosofia exposta em seus textos,
pela multiplicidade de direções
em que seu espírito inquieto se move, por
tudo isso Braxton, a Esfinge, nos coloca perguntas
que ainda levarão um bom tempo para serem
respondidas.
(V.A. Bezerra, 2001)

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